Então... Quê que rola. Nessas idas e vindas de uma vida normal, saÃdas e andanças rotineiras de qualquer pessoa, estava eu, andando pelos lados desconhecidos da cidade, num final de tarde nublada, querendo escurecer e me vi numa situação constrangedora.
Uma senhora, de meia idade, tentava de qualquer modo, convencer sua mãe, uma senhora no inÃcio da terceira idade(por dedução), a sair pelo portão de casa, ainda que por modos bizarros. Dentre estes, uma gritaria infernal, berros descomunais, e impropérios de todos os tipos, proferidos em altÃssimo e não bom tom, à pobre senhora.
Eu me encontrava a uma distância segura, que me permitia ver a irredutÃvel filha, e consequentemente as veias do seu pescoço que teimavam em tentar saltar, e o portão aberto.
Porém não via a mãe, que no meu entender devia estar dentro da casa, ou parada perto ao portão. Eu, no ápice do meu constrangimento, comecei a dar alguns passos para trás, na tentativa de sumir daquele lugar, e nunca lembrar daquilo, tamanha a frustração que me encheu o Ãntimo, vendo o conflito tardio de gerações. Não pude, pois meus pés não se moveram, e procuro explicar isso como uma vitória da minha curiosidade sobre o meu bom senso. A primeira senhora, - filha - teve então a brilhante idéia de olhar ao redor, procurando um passante para lhe ajudar em tão ferrenha campanha.
Ao perceber o intuito da senhora, virei minha cabeça em todas as direções, e tamanho foi o meu espanto ao ver que não só a luz natural já se ia tranquilamente para o outro lado do oceano, como de igual tamanho foi o assombro que tive ao me ver sozinho, em tal lugar, que, confundido pela escuridão que começava a dominar, nunca antes me havia parecido tão tenebroso e assustador, pelo formato côncavo que suas contruções pareciam formar sobre minha cabeça. Minha leitura do espaço, não foi mais breve que a da gentil e amigável senhora que por pouco não impelia sua mãe - subentendida dentro do portão - para longe, tamanha a força que fazia ao soltar a voz esganiçada, para que a sua progenitora a antendesse.
Sendo assim, depois de olharmos ao nosso redor, encontramos os olhares, e o desagradável mal da desconfiança me sobreveio, de uma forma que não pude evitar o tremor nas pernas. E, submeto-me ao julgamento do leitor, porém meu bom senso encheu-se de coragem e abateu curiosidade, e tudo quanto havia que me prendesse naquele lugar, e numa fração de segundo ordens foram expelidas a todos os músculos do meu corpo, para que me virasse, e corresse dali, antes que a fúria da senhora sobreviesse sobre a minha pessoa, e eu arcasse com as consequências da minha pouca idade, astúcia e da minha educação, em aceitar o fato de que a mãe da senhora tinha seus motivos para não acatar as 'ordens' de sua filha.
Pelo meio de luzes fracas, me esgueirei pelo caminho que tinha vindo, e num último esforço cheguei ao lugar que me pareceu conhecido, e depois de descansar, não pude evitar o pensamento de que tudo aquilo fora um tanto quanto inapropriado, pois qual era o mal de ajudar a senhora. Sendo isso verdade ou não, o fato é que eu não volto à aquele lugar, em hora nenhuma, nem sob ameaça de morte, tamanha a ilusão que faço em minha cabeça sobre aquele lugar.